Na segunda metade do século XIX assistiu-se ao nascimento da moderna Oceanografia, com a realização de algumas grandes expedições oceanográficas que despertam o interesse do Rei D. Carlos. Mas foi talvez a intensa atividade oceanográfica desenvolvida pelo Príncipe Alberto do Mónaco, um amigo pessoal, que foi determinante para consolidar a apetência natural de D. Carlos por este domínio da ciência.
D. Carlos decidiu então explorar cientificamente o mar para o dar a conhecer. Auxiliado por um valoroso conjunto de colaboradores, de entre os quais se destaca Albert Girard, dá início a 1 de setembro de 1896, à primeira de uma série de doze Campanhas Oceanográficas.
Entre as suas preocupações estava o inventário faunístico da costa portuguesa e o estudo da fauna abissal, até então praticamente desconhecida.
Durante os 12 anos de campanhas, D. Carlos e a sua tripulação completaram 290 estações, nas quais realizaram 339 sondagens, 172 dragagens, e lançaram 10 covos, 11 aparelhos de linha e 29 vezes o espinhel.
O mérito da sua obra foi internacionalmente reconhecido, como o demonstram os numerosos diplomas que lhe foram conferidos pelas mais prestigiadas instituições científicas da época.
D. Carlos foi um dos primeiros comunicadores de ciência em Portugal, tendo feito chegar ao conhecimento público os resultados das suas campanhas, através da publicação de diversas obras e da organização de exposições com material zoológico recolhido e ainda instrumentos oceanográficos e aparelhos de pesca. É ainda de salientar que ofereceu exemplares raros e preciosos a diversas instituições científicas e museus nacionais e estrangeiros.
Celebramos agora 130 anos do início das campanhas oceanográficas, prestando a nossa homenagem ao Rei artista e cientista, considerado o pai da moderna oceanografia portuguesa.