Escola de Mecânicos em Vila Franca de Xira. Oficina de Ferreira. 1936.
Localizada na margem norte do Tejo, a meio caminho entre Alhandra e Vila Franca de Xira, a Quinta das Torres era um local onde o rio oferecia boas condições de abrigo para navios e boa acessibilidade de transportes ferroviários e rodoviários.
Em 1924, fruto do afastamento dos serviços e unidades da Armada de Lisboa face aos motins e revoltas da época, o Ministério da Marinha adquiriu os terrenos que constituíam a Quinta das Torres1 e considerou, via Decreto-Lei n.º 11040/1925, sediar nesse local o comando da Flotilha Ligeira de Torpedeiros constituídas pelos contratorpedeiros (Douro, Guadiana, Tâmega e Voga) e os torpedeiros (Mondego, Sado, Ave, Lis e Tejo)2.
No mês de maio de 1928, outro Decreto-Lei, criou a 2ª unidade da Marinha de Vila Franca: a Delegação Marítima de Vila Franca de Xira, que permaneceu na Quinta das Torres até ao ano de 19793.
Pese embora a Flotilha tenha sido extinta passados 3 anos a Quinta das Torres manteve o seu emprego para a Marinha, pois fruto da acumulação de serviços4 nas Brigadas da Armada foram criadas, no dia 10 de maio de 1934, as Escolas de Aplicação da Marinha5-6.
A Escola de Mecânicos era uma das que integrava o grupo de Escolas de Aplicação, e cuja atividade letiva se iniciou em 1934/35. Este estabelecimento ministrava o ensino técnico nos ramos de torpedos, eletricidade e máquinas para além do Curso Geral de Sargentos. Inclusive, no ano de 1937 recebeu os cursos da Escola de Radiotelegrafia e Comunicações até então localizadas em Monsanto7.
1(Patriacal, 1990)
2(Pinto, 2009)
3(Clara Frayão Camacho, 1994)
4Serviços de instrução inclusive.
5Na dependência direta do Comando Geral da Armada.
6(Clara Frayão Camacho, 1994)
7(Pinto, 2009)
O aumento exponencial de alunos sucede-se em 1938 fruto da integração da Escola de Alunos Marinheiros. Nesse sentido a Escola de Mecânicos ficou a ter mais uma missão, dar formação básica a todas as praças de Marinha e que manteve até 19758.
No dia 24 de maio de 1961, o Ministro da Marinha, Almirante Quintanilha Mendonça Dias, subscrevia o Decreto que criava as Escolas Técnicas da Marinha, congregadas em dois grupos de escolas, um deles sediado em Vila Franca de Xira e intitulado de Grupo nº 1 de Escolas da Armada9. Este estabelecimento com uma vocação eminentemente técnica e formativa era constituída por um conjunto de quatro escolas que correspondem a diferentes áreas de formação, designadamente máquinas, eletrotecnia, abastecimento e informações de combate10.
Ligação a Vila Franca
Vila Franca de Xira é referência curricular para uma significativa parte dos militares da Marinha Portuguesa.
A ligação entre esta instituição e a comunidade está presente desde os primeiros momentos, nomeadamente a cerimónia realizada em 1925 junto à Câmara Municipal. Já o programa cultural promovido em 1990 do qual surge a exposição intitulada “A Presença da Marinha em Vila Franca de Xira”, que assinalou junto da população o significado da instalação da Flotilha Ligeira nas suas terras, atesta a mútua consideração entre autoridades civis e locais11.
A presença da Marinha em Vila Franca de Xira originou com a sede do Concelho, e também com outras localidades, um conjunto de relações que variaram consoante os períodos e as circunstâncias políticas e sociais. O Grupo nº1 de Escolas da Armada atuou em casos de catástrofes, como as inundações frequentes na Lezíria, e no quotidiano apoiou os mais desfavorecidos, ao fornecer ajuda alimentar que era encaminhada para a Misericórdia de Vila Franca12. Sem embargo, foi nas piscinas do Grupo nº1 de Escolas da Armada que muitas crianças do concelho aprenderam a nadar, mais concretamente cerca de 200 crianças entre os 6 e 12 anos.
8(Pinto, 2009)
9(Clara Frayão Camacho, 1994)
10(Patriacal, 1990)
11(Patriacal, 1990)
12(Patriacal, 1990)
Bem como para efeitos recreativos as instalações serviam de suporte logístico para o Xira-Cup13 e aos domingos, na capela, registava-se a missa que contava com população do Bairro do Paraíso14.
Naturalmente, em Vila Franca de Xira as noites de quarta e sexta-feira eram marcadas pela presença dos marujos que se deslocavam à cidade nos dias de folga em busca de diversão ou passagem a caminho dos transportes que os levavam de regresso a casa15.
13Programa de encontros desportivos concelhios.
14(Patriacal, 1990)
15(Patriacal, 1990)
Bibliografia
Clara Frayão Camacho, C. D. (1994). Histórias do Tejo. Vila Franca de Xira:
Museu Municipal de Vila Franca de Xira.
Patriacal, C. d. (1990). A presença da Marinha em Vila Franca de Xira da Flotilha Ligeira
ao Grupo nº1 de Escolas da Armada. Vila Franca de Xira: Câmara Municipal de
Vila Franca de Xira e Gropo nº1 da Escolas da Armada.
Pinto, C. J. (2009). Oito Décadas da Marinha na Quinta das Torres 1925-2009. Revista da
Armada, 20-23.